
Outra coisa sobre o mesmo assunto é este blogue:
Uma desconstrução intelectual das esperanças, sonhos e vocabulário da juventude portuguesa.
Onde iremos parar, não sei, mas eu saio já na próxima estação.
Nós atiramos a primeira pedra.
Zombie Filosófico
O que será um zombie filosófico? Confesso que há uma imagem que me vem à ideia...

Eheheh. Isso, um Platão, um Sócrates, ou mesmo um mais moderno Nietzsche zombie... este ultimo até pode ser resultado das suas próprias convicções, como se pode reparar na reconstrução histórica de uma das suas mais célebres afirmações:Nietzsche - Deus está morto!
Deus - Nietzsche está morto!
Nietzsche Zombie - ...cérebro.
A ideia de zombies é fixe, mas a ideia dos filósofos clássicos transformados em zombies é indescritivel. Mas será este ser mitológicamente épico o que realmente significa Zombie Filosófico? Claro que não... a filosofia é tediosa.

Um zombie filosófico é um ser em tudo igual a um ser humano, no entanto falta-lhe consciência. Ele é capaz de se comportar e reagir como um humano, mas não sente nada do que o leva a reagir dessa forma, não possuí sentiência. Se um zombie filosófico for rejeitado pelo amor da sua vida, ele chora e comporta-se de maneira irracional, no entanto ele não sabe o que é amor... bem, nem nós, já que estamos a falar disso. O que se calhar nos coloca a dúvida: Será que nós próprios não somos zombies filosóficos?
Tal como no solipsismo, é impossível refutar a afirmação de que todos somos zombies filosóficos, ou que ninguém é. Logo, isto não serve para nada, o que é uma típica posição epistemológica em filosofia.
Mais uma desilusão... obrigado filosofia!
Merda para isso.
De há uns anos para cá deixei de ir de férias. Sempre que acabavam as férias custava-me imenso retomar o trabalho, passava o tempo a pensar em como era bom não fazer nada, como preferia estar de férias do que estar a trabalhar, os sentimentos típicos da ressaca. E sempre considerei que a culpa disto era do trabalho, porque trabalhar é seca! Isto, claro, até ler Platão.
Há um exemplo muito famoso de Platão, a alegoria da caverna. Nessa alegoria é retratada a situação de pessoas que desde a sua nascença se encontram imobilizadas numa gruta, viradas para uma parede sem hipótese de verem mais nada. Na entrada dessa gruta passa uma estrada movimentada, as vozes das pessoas que por lá passam ecoam na gruta e a sua sombra é projectada na parede. Como estão lá desde que nasceram, as pessoas que estão presas na gruta encaram as sombras e vozes que ouvem como a realidade do seu mundo, desconhecendo tudo o resto. Como não conhecem o mundo exterior, não o podem desejar.
Platão queria falar da incapacidade humana de percepcionar o mundo como ele realmente era e da dificuldade que o homem comum teria em aceitar esse conhecimento, se tal lhe fosse passado por alguém com uma maior noção da realidade. Mas, eu acho que é uma alegoria muito mais bem empregue à época estival.Ora, bem vindos à minha vida!
Agrilhoado a uma secretária, apenas com um monitor a passar imagens ténues de um vida à qual não tenho acesso, ir de férias, para mim, seria como se um dos presos da caverna fosse lá fora por 15 dias e depois o obrigassem a voltar para a caverna. É desumano, ele era feliz antes quando não conhecia mais nada para além da caverna. A ignorância é um paraíso.
O que concluo é que as férias servem apenas para nos lembrar o quanto a nossa vida não presta durante o resto do ano. O mesmo com as memórias de infância, apenas nos lembram que agora é tudo muito mais complicado. Não havendo férias um dia esqueço-me de como elas são boas e não fico a desejar essa vida. Se pudesse também trabalhava aos fins-de-semana e feriados.. mas nessa altura fecham-me a porta :(
A Yahoo! anunciou que irá fechar em Outubro deste ano a Geocities e com ela desaparecerá isto: