quinta-feira, julho 02, 2009

Eu sei que já vem tarde, mas mais vale tarde do que...

... nunca é uma palavra que não existe no dicionário do Brain, sendo que até existe, mas existe apenas ao abrigo da seguinte definição:

nunca
adv.
1. Palavra que não existe no dicionário do Brain.

Isto porque o Brain é... enfim: deixem-me falar-vos um muito do que é o Brain, porque falar um pouco dele seria dele fazer pouco.

O Brain é tão pioneiro que não inventou a roda: inventou o acto de inventar a roda.

O Brain nunca está atrás numa corrida. Está é, quanto muito, prestes a dar-vos uma volta de avanço.

Aos três anos, o Brain construiu o seu primeiro BattleMech para invadir Espanha, mas como a máquina de guerra era feita apenas de cartão e de canas do quintal da sua avó chegou apenas a Mérida antes de ser dominado pela polícia espanhola.

E o Brain era tão ninja na altura pré-Revolução dos Cravos que ele não empurrou Salazar da cadeira: ele era a própria cadeira de lona. Ele simplesmente se desviou para o lado quando o agora antigo estadista se ia a sentar.

E o próprio jogo "Cadillacs and Dinosaurs" foi baseado numas férias de Verão do Brain, quando ele e os seus amigos Jack, Hannah, Mustapha e Mess decidiram viajar de Cadillac até à Damaia antes de esta ser povoada por pretos e brancos com a mania que são pretos.
E o comum mortal pode afiançar que "mas na Damaia não há dinossauros".
Uma vez que eu não dirijo a palavra ao comum mortal, pois uma vez fui jantar com ele e ele veio com aquela conversa do "vamos rachar a conta a meias" e eu não queria pois o gajo comeu sobremesa e eu não e foi logo daquelas de três euros e meio da Carte D'Or e eu acabei a pagar mais um euro e setenta e cinco do que me era exigido, vocês podem passar, por mim, a palavra a ele de que não há dinossauros agora, que naquela altura, e até o Brain lhes limpar o sebo a todos ao pontapé e ao rotativo, aquilo infestava a Damaia que nem seringas num encontro anónimo de ex-agarrados à coca.

E se o Aristóteles é o pai da lógica, o Brain é, sem dúvida, o seu padrinho de baptismo.
Aquele que lhe mete mais uma moedinha para andar no Pato Donald que anda para a frente e para trás no mesmo mecânico sítio.
Que lhe dá dinheiro às secretas para ela comprar "roupa de marca", de acordo com ela, "roupa à puta", de acordo com o pai dela.
Que nas férias grandes a leva lá para a sua casa ao pé da costa e lhe diz "Não quero cá outros abstractivos do raciocínio em casa" apenas para ir tomar um café à rua e regressar para apanhar a lógica aos beijos e aos amassos com o senso comum no sofá da sala.

E o Brain pode não ser o pai da lógica, mas é o feliz e contemplado pai de um anagrama chamado Brian.
Nasceu com dois quilos setecentas e cinquenta e é conhecido por participar em séries de televisão como, por exemplo, "Family Guy".

E o Brain não se limita a preencher a existência com irrefutáveis ensinamentos imortais e perenes verdades absolutas: não.
O Brain exerce o seu direito à omnisapiência com dogmas talhados na própria pedra que Deus, em tempos, utilizou para talhar toda a Torá e uma gravura inacreditavelmente realista de Adão e Eva a jogarem à macaca com o fruto proibido.
Foi, até e inclusive, um bocado dessa pedra que o Brain - e não Deus - deu a Moisés assim como quem dá uma moeda a um cachopo ansioso por ir comprar um rajá, com o aviso de "Toma lá e não gastes tudo em Mandamentos".

E vinquem bem estas minhas palavras na vossa memória.
Vinquem, mas mais do que vincar estes meros vocábulos, vinquem o que eles transmitem, pois a sabedoria aqui contida remete àquele que, um dia, se livrará do preconceito e do julgamento para se dedicar ao Bem Maior, quebrará as barreiras simbolizadas pelas fronteiras, unificará linguagens e culturas e povos e nações e estas encabeçará na marcha pelas ruas e avenidas do novo e único e unificado país com gloriosos cânticos de "Noli manere, manere in memoria" para com tudo o que de nocivo e de humanamente errado nós, raça humana, deixámos para trás.

Isto, claro está, se a mãe dele deixar, que ele ainda só tem quatro anos.

32 comentários:

AD disse...

Eu podia dizer-te o quanto me ri com a frase "Aquele que lhe mete mais uma moedinha para andar no Pato Donald que anda para a frente e para trás no mesmo mecânico sítio", mas isso implicava estar agora a expressar admiração por outrem e emoções e essa paneleirice toda, por isso não digo.

grassa disse...

Concordo: ir ao cu ainda vá que não vá, agora elogios é que não.

Nawita disse...

err… vou ficar calada então!

A disse...

excelente, estou sem palavras... a sério! foda-se! pronto, desculpem :p

és grande grassa! dos maiores.

grassa disse...

Só sou o maior se nunca olhar para cima.

E se nunca olhar para cima, nunca vos poderei dizer, olhos nos olhos, que o maior, afinal de contas, não sou eu.

A disse...

demasiada modéstia... esqueci-me dizer que não vens nada tarde, vens sempre na hora certa. :)

podemos prosseguir para o amor à bruta, agora?

grassa disse...

É bom sentir que há um grupo restrito de pessoas que, para além de me compreenderem, também são como eu.

E o facto de não me baterem com jornais enrolados e de não me picarem com paus para ver se eu estou vivo também ajuda a gostar assim de vocês.

grassa disse...

E eu não faço amor à bruta.

Tenho medo que tu sejas assim um gajo que seja osteoporose em estado sólido e que me estilhaces a bacia num puzzle de mil peças.

Vani disse...

quatro anos??? em anos de quem?

E, olhem lá, o poste não é sobre o brain? não deveríamos estar a tecer louvores ao brain?...

grassa: ena pah...sim sinhora, temos gajo! ;-)

Vani disse...

#É bom sentir que há um grupo restrito de pessoas que, para além de me compreenderem, também são como eu.#

grassa, eu digo que é bom de ver, aqui, que há quem saiba avacalhar elegante e inteligentemente :D

grassa disse...

Mas eu não avacalhei coisa nenhuma.

Isto foi um relato biográfico.

grassa disse...

Se ainda não passou no Biography Channel, pouco falta.

A disse...

isto não só foram louvores ao brain, como ainda mais foi um enaltecimento do próprio grassa. alguém que escreve um ponto como o pessoa fazia um verso.

Vani disse...

grassa, ai avacalhaste avacalhaste. Não sejas modesto.

Vani disse...

Os louvores ao brain estão esquecidos nos comentários. Mas a razão é forte, é grassa.

Gata das Botas disse...

Apanhar a lógica aos beijos e aos amassos com o senso comum no sofá da sala é das coisas mais bonitas que li nos últimos tempos! Eu era menina para fazer um elogio ao Grassa, mas tenho medo dele...

isa disse...

Este testemunho emocionou-me mais que o discurso da tomada de posse do Obama!
Atrevo-me, a medo, mas atrevo-me a dizer, ó Grassa, parabéns!

Vani disse...

grassa ao daily show! grassa ao daily show!

Josue disse...

QUE POST FENOMENAL! :D

Anónimo disse...

eu que nem gosto de ti tenho de te dar os parabens,sempre escreves alguma coisa de bem.

Anónimo disse...

eu que nem gosto de ti tenho de te dar os parabens,sempre escreves alguma coisa de bem.

grassa disse...

Algum dia tinha de ser, não é?

tiagugrilu disse...

"Foda-se. Sim!"

Fiquei com esta exclamação gravada na memória desde que o A a escreveu por mim. E aqui aplica-se e bem.

Demorei foi uns 5 minutos a perceber que

a) Foi o Grassa a escrever.
b) É o tal contributo para o aniversário do Brain

É sexta feira e faltam poucas horas para ir ver Skank e Orishas. Justifica alguma coisa?

tiagugrilu disse...

Quem é o anónimo repetitivo?

Gi...?

grassa disse...

O anónimo pode ser uma de 357 pessoas.

tiagugrilu disse...

Tens um inimigo virtual para cada dia do ano, excepto aqueles 8 dias de férias que tiras anualmente?

A disse...

espera lá grassa. tu mantens atritos com exactamente 357 pessoas? isto é, tu tornas a vida num inferno de piadas inteligentes a 357 pessoas? ou é apenas uma estimativa por baixo?

A disse...

ou aquilo que o tiagugrilu disse, claro.

grassa disse...

Mais uma, menos uma, diria que são 357...
E chamo-lhes pessoas porque respeito os outros animais.

isa disse...

fui lá ver os links. continuo a achar que escreves bem.
também continuo com medo.
sou uma masoc!

grassa disse...

Obrigado, isa.

Há ali muita coisa mal resolvida, e eu até sei o que é.
Coitado.
Deixa-o estar.

A disse...

ahahaahha, ele já estava a merecer ouvi-las.